Comemora-se nesta terça-feira (4) o Dia Mundial do Braile. Em 2018, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o dia 4 de janeiro para essa comemoração com o objetivo de homenagear o aniversário do francês Louis Braille (1809-1852), criador do sistema de escrita e leitura tátil para pessoas com deficiência visual. O método de alfabetização é composto por sinais gravados em relevos, que permitem o registro de letras, números e qualquer outro tipo de símbolo necessário para a comunicação.
Pelo Twitter, o senador Romário (PL-RJ) lembrou a data e disse que o braile é um verdadeiro símbolo de inclusão. Ele destacou que o braile é um sistema de combinação de seis pontos, que formam 63 caracteres em relevo. A leitura é feita da esquerda para a direita, com a pessoa usando uma ou as duas mãos. Romário observou que cada página em tinta corresponde a cerca de três páginas em braile.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) também chamou a atenção para o Dia Mundial do Braile pelo Twitter. Ele disse que é preciso “falar sobre a importância da acessibilidade e da inclusão”. E ressaltou que “é com o braile que as pessoas com problemas de visão podem conhecer letras, números e todo símbolo necessário para a comunicação”. Contarato concluiu salientando que “conhecimento e educação são direitos de todos”.
Cardápios e embalagens
A atenção com as necessidades dos deficientes visuais tem motivado vários senadores a apresentarem projetos de lei. Uma dessas matérias foi aprovada no ano passado no Senado e agora está em análise na Câmara dos Deputados. Trata-se do PL 1.550/2019, que prevê que bares, lanchonetes e restaurantes devem oferecer pelo menos um exemplar do cardápio em braile — mas isso só se aplicaria a estabelecimentos que disponibilizem menus impressos e que tenham capacidade para atender a pelo menos 90 clientes. Os restaurantes self-service estariam excluídos dessa obrigação. O autor da proposta é o senador Confúcio Moura (MDB-RO).
Foi incluído no texto uma emenda, apresentada pelo senador Zequinha Marinho (PSC-PA), que exige a inclusão de códigos de barra ou QR codes para permitir a conversão do menu em áudio via celular.
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Esse projeto foi aprovado em agosto passado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, quando recebeu parecer favorável do senador Lasier Martins (Podemos-RS). Agora o texto tramita na Câmara dos Deputados.
Por sua vez, o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) apresentou um projeto de lei, o PL 757/2021, que torna obrigatória a transcrição em sistema braile — em embalagens e placas de produtos ofertados ou comercializados — de informações sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, bem como sobre os riscos que possam apresentar à saúde e à segurança dos consumidores. Essa proposta está em análise no Senado.
Justiça
O senador Romário (PL-RJ) apresentou um projeto de lei para garantir às pessoas cegas ou com baixa visão, a pedido, a transcrição de peças processuais para o braile (PL 3.277/2021). O texto ainda garante a apresentação de peças em braile, por pessoas cegas ou com baixa visão investidas na capacidade postulatória, desde que acompanhada de transcrição em caracteres gráficos.
Além disso, de acordo com a proposta, o cego terá direito ao acesso a documentos de testamento, em forma de leitura em voz alta ou em braile.
O texto também prevê o atendimento da pessoa surda na Justiça por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). O surdo também terá, de acordo com a proposta, o direito de ler o seu testamento, se for alfabetizado. Se não tiver a condição de leitura, poderá designar quem interprete o documento em Libras.
O projeto de Romário está em análise na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
