23/03/2021 – 22:46
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Arthur Lira comanda a sessão do Plenário
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), vai reunir-se nesta quarta-feira (24) com os presidentes da República, Jair Bolsonaro; do Senado, Rodrigo Pacheco; e do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux; para discutir medidas de enfrentamento à Covid-19.
Lira também convocou reunião de líderes para propor medidas administrativas e políticas para acompanhamento da pandemia e cobrou um debate mais imparcial sobre a crise. “A Presidência desta Casa tem cumprido seu papel independentemente das posições políticas e ideológicas, que não devem ser o norte para gestão desta Casa”, afirmou.
- Comissão aprova projeto que reforça proteção a crianças e adolescentes órfãos
- Comissão aprova projeto que cria marco legal de combate às apostas clandestinas
- Especialistas defendem mudança na legislação e melhoria na fiscalização para evitar fake news nas eleições
- Comissão especial debate projeto que cria política nacional para pessoas com autismo
- Comissão aprova cota de 15% no Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 1,8 mil
“Daremos um rito diferente, nestas próximas duas semanas, para oportunizar um debate mais coerente, mais frio, mais imparcial, mais resolutivo, com menos ideologia, para esta crise que o povo brasileiro passa”, disse Lira.
Debate
As medidas de combate ao novo coronavírus mobilizaram os debates entre deputados de governo e oposição no início da sessão do Plenário desta terça-feira (23). Apesar de ambos os lados pedirem união nos esforços contra a pandemia, também houve troca de acusações sobre a responsabilidade dos problemas no atendimento à saúde da população.
O líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), espera que haja acordo na reunião desta quarta-feira entre o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara, do Senado e do STF. “O Brasil precisa transmitir à população que há uma direção no combate à pandemia. Temos um comando novo no Ministério da Saúde”, apontou.
Ricardo Barros ressaltou que a nova cepa do coronavírus é muito grave e “requer medidas muito duras”. No entanto, ele lamentou as divergências entre governadores e prefeitos sobre as medidas de isolamento social.
Vacinas
O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) parabenizou o presidente Bolsonaro pelo combate à pandemia. “O governo já firmou acordos para compra de 562 milhões de doses de vacina”, comemorou.
Coronel Tadeu afirmou que não haveria tantos mortos por Covid-19, hoje, se o Brasil tivesse construído hospitais em vez de gastar dinheiro em estádios superfaturados da Copa de 2014. Ele também acusou os governadores de não repassarem o dinheiro do governo federal para saúde.
Já o deputado Vicentinho (PT-SP) acusou o governo Bolsonaro de boicotar as vacinas. “É preciso que a sociedade toda se junte. O povo está sofrendo. Nas periferias, não há condição de se proteger do coronavírus ou de se alimentar”, lamentou. Ele também cobrou a validação de diplomas de médicos formados fora do Brasil.
A deputada Soraya Manato (PSL-ES) afirmou que o Brasil tem dificuldade para comprar vacinas porque os países do primeiro mundo compraram todas as doses e se esqueceram dos países em desenvolvimento. “Os Estados Unidos comprou 1,3 bilhão de doses, o suficiente para vacinar três vezes a população daquele país”, lamentou.
Economia
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) anunciou mobilização de centrais sindicais e movimentos sociais nesta quarta-feira em defesa da vida da população. “Estamos defendendo vacinas para todos e auxílio emergencial de R$ 600 para os informais”, afirmou. “As pessoas morrem porque não tem UTI nem leito de hospital para atendê-las.”
A deputada Tábata Amaral (PDT-SP) lamentou a demora na entrega do auxílio emergencial. Ela também considera o valor insuficiente para alimentar uma família. “Se o governo não entende a magnitude, o caos e a gravidade da situação que estamos vivendo, cabe ao Congresso sair desta letargia. Estamos no pior momento da pandemia.”
O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), por sua vez, relatou que várias cidades do Rio Grande do Sul tiveram protesto contra medidas de isolamento social e paralisação de atividades econômicas. “Precisamos garantir que, com segurança, as pessoas possam trabalhar”, apontou.
Van Hattem acusou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de não dialogar com os empresários.
Conduta de Bolsonaro
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) acusou o presidente Bolsonaro de incentivar aglomerações que facilitam a transmissão do vírus. “O Brasil virou o foco mundial da Covid-19 com a irresponsabilidade do governo, que não comprou vacina na hora certa.”
Já o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) afirmou que os deputados de esquerda faltam com o decoro ao chamar o presidente Bolsonaro de genocida. “No aniversário do presidente, centenas de pessoas foram voluntariamente cumprimentá-lo”, observou.
Atendimento médico
O deputado General Girão (PSL-RN) afirmou que a oposição precisa parar de brigar com o governo. “O mais importante é tratarmos preventivamente as pessoas, fortalecendo as imunidades. A classe política tinha que ficar calada e deixar que os médicos decidam”, propôs.
A deputada Luiza Erundina (Psol-SP), no entanto, denunciou a morte de jovens por falta de atendimento médico. “Isso é um crime de omissão do governo e do Poder Legislativo, que não assume a obrigação. Em todas as graves crises, o Legislativo se centrou no enfrentamento dos problemas. Não dá mais para suportar tanta indiferença em relação ao nosso povo que está morrendo aos milhares de Covid-19 ou de fome.”
Pauta prioritária
O deputado Fábio Trad (PSD-MS) pediu que a pauta da Câmara seja voltada exclusivamente ao combate à pandemia. “Pode soar até cruel se continuarmos a discutir temas que estejam à margem do que o nosso povo está sofrendo”, comentou. “A reforma administrativa deveria ser suspensa, pois criminaliza o serviço público no momento que o Brasil mais precisa.”
Reportagem – Francisco Brandão
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Agência Câmara de Notícias
