A Promotoria dos Direitos Humanos, do Ministério Público do estado de São Paulo (MPSP), ajuizou ação civil pública na segunda-feira (31) para evitar que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) atue como Polícia Militar (PM) na região da Cracolância, centro da capital paulista.
Na petição inicial, os membros do MPSP Eduardo Valério, Arthur Pinto Filho e Anna Trotta Yaryd pedem que não seja realizada qualquer operação de natureza policial militar na região. Eles pedem também que haja estudo prévio de impacto e de efetividade das medidas a serem adotadas em operações de segurança urbana pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana e por sua GCM na Cracolândia, além de implantação de canal de denúncias para a população e capacitação dos guardas, entre outras medidas.
Os promotores fizeram um histórico de atuações excessivas perpetradas pela GCM na região, em situações caracterizadas pelo desvio de função e abuso de poder. O MPSP afirma que as apurações acontecem desde 2017 no âmbito da Promotoria de Direitos Humanos, que já ouviu integrantes e dirigentes da GCM e fez várias tentativas de solução extrajudicial, por meio de reuniões voltadas à mudança de atuação da corporação.
Segundo a promotoria, a pretexto de combater os traficantes de drogas, as forças de segurança atacam os usuários “que sofrem, em consequência, a violência do traficante, a violência das ‘polícias’ e as fraquezas próprias e pessoais, derivadas de sua dependência química e de sua exclusão social”.
“A triste história do local registra as inúmeras e fracassadas tentativas do Poder Público – Estadual e Municipal – no enfrentamento do problema, com a sucessão de projetos, ora consistentes ora eleitoreiros, que custam grandiosos volumes de recursos públicos, mas poucos ou minúsculos resultados apresentam”, ressaltam os promotores na ação.
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Ainda de acordo com os membros do MPSP, a região da Cracolândia precisa de políticas públicas de cuidado com pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. O órgão aponta ainda a falta de continuidade e estabilidade das políticas públicas implantadas.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou, em nota, “que não foi oficialmente noticiada sobre o ajuizamento da ação civil pública mencionada e reforça a disponibilidade para prestar esclarecimentos após ciência dos termos”.
Dossiê
Em abril deste ano, a organização Craco Resiste divulgou dossiê “Não é confronto, é massacre”, elaborado a partir de vídeos gravados na região, denunciando a violência da GCM contra a população em situação de rua.
O grupo vinha documentando ações desde dezembro do ano passado e conseguiu registrar agressões cometidas pelas autoridades de segurança pública no local. Os vídeos mostram ataques inesperados com spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo, além de socos e empurrões quando agentes de segurança pública não sabem que estão sendo filmados. Tudo isso enquanto as pessoas estão sentadas, distraídas ou apenas passando pela região.
Na ocasião, a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) oficiou o Ministério Público estadual (MPSP) para apurar a prática de tortura, com base nos vídeos do documento. Na ação, os promotores citam o material do dossiê, afirmando que os vídeos demonstram de modo inquestionável que, ao contrário do que o município costuma sustentar, as ações da GCM contra os usuários de drogas na região não acontecem em resposta a provocações e agressões.
Para o MPSP, os vídeos “são prova robusta do quanto aqui se alega, demonstrando a atuação habitualmente violenta e truculenta da Guarda Civil Metropolitana naquele deteriorado território da metrópole, e confirmando sua ilegal atuação com finalidade policial”. Os vídeos foram juntados na petição inicial da ação.
Fonte: Agência Brasil
