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Você toma remédios de maneira correta? Veja dicas de especialistas da rede pública do DF

Secretaria da Saúde aponta os principais erros dos pacientes e alerta para riscos da automedicação ou indicação de medicamentos para terceiros

Incorporar medicamentos à rotina pode ser um desafio, tanto para pessoas que só precisam tomá-los por alguns dias quanto para aquelas que devem manter o uso ao longo de toda a vida. O problema é quando ocorrem erros que, a princípio, parecem simples, mas podem dificultar os tratamentos ou, em alguns casos, até piorar a situação.

Medicamentos devem ser tomados sob indicação médica, não por orientação de outras pessoas | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF

Veja abaixo as principais dicas para não errar na medicação.

Indicação de amigo ou parente

Um dos problemas mais comuns é quando alguém da família toma um medicamento e, com boa vontade, indica aos amigos ou parentes. “As condições de saúde, ainda que tenham o mesmo nome e mesmo código CID [Classificação Internacional de Doenças], como a dor de cabeça, são únicas para cada pessoa”, explica o médico de família e comunidade Arthur Fernandes, da Secretaria de Saúde (SES-DF),

“Não é grave indicar uma dipirona para um familiar por uma dor simples, mas sim replicar esse comportamento de forma indiscriminada, principalmente envolvendo remédios controlados”

Arthur Fernandes, médico de família e comunidade

De acordo com ele, enquanto um paciente experimenta uma dor de cabeça como simples sinal de estresse após um dia de trabalho intenso, é possível que outro viva o mesmo problema com medo e preocupação.

“Talvez ele tenha um histórico familiar de AVC [acidente vascular cerebral]”, pontua. “Na medicina de família e comunidade, chamamos essas particularidades de experiência de doença.”

O problema se complica quando, segundo o médico, a recomendação de amigos ou parentes já não é mais para uma dor de cabeça, mas medicamentos que envolvem condições mais complexas, como na área de saúde mental ou reprodutiva: “Não é grave indicar uma dipirona para um familiar por uma dor simples, mas sim replicar esse comportamento de forma indiscriminada, principalmente envolvendo remédios controlados”.

Tratamento sem receita

O cenário se agrava ainda mais quando a utilização do medicamento não acompanha qualquer indicação profissional. Fernandes exemplifica, citando o uso da testosterona com a expectativa de melhorar o desempenho físico ou sexual: “Tomar uma substância que foi feita para tratar certa condição sem apresentar tal condição expõe a pessoa a efeitos desnecessários e potencialmente graves, como problemas metabólicos, cardíacos ou neurológicos, além de alterações de humor e corporais”.

De acordo com o médico, entre as mulheres, uma situação comum ocorre no tratamento de infecções urinárias: a paciente usa antibióticos variados por conta própria repetidas vezes, gerando resistência aos antimicrobianos. Isso acaba dificultando terapias futuras para o mesmo problema, sendo necessária a internação hospitalar para uso de antibiótico injetável.

1,3 milhão

Número de mortes anuais por resistência aos microbianos, condição causada pelo exagero no uso

A resistência aos antimicrobianos — capacidade de bactérias, vírus, fungos e parasitas sobreviverem aos efeitos de medicamentos como antibióticos, antifúngicos, antivirais, antimaláricos ou anti-helmínticos — é tema de ações globais de conscientização.

De acordo com o Ministério da Saúde, essa condição já causa 1,3 milhão de mortes diretas por ano e pode se tornar a principal causa de óbitos no planeta até 2050. O uso exagerado de antimicrobianos e o descarte inadequado de resíduos são os principais fatores que aceleram essa resistência.

Abandono de tratamento contínuo

A diretora de Assistência Farmacêutica da SES-DF, Sara Ramos, relata que, com frequência, há abandono de tratamentos contínuos, embora os remédios estejam à disposição. Os motivos variam do esquecimento à autoavaliação. “Achar, por conta própria, que o medicamento não está funcionando ou que já curou o que havia de errado é um equívoco”, esclarece.

Outro erro apontado pela farmacêutica é interromper o tratamento quando há desconforto com efeitos colaterais. “Deve-se sempre voltar ao profissional de saúde para fazer os ajustes necessários”, recomenda. Sara lembra que há condições de saúde invisíveis, como o colesterol alto, além de doenças que aparentam ter cura rápida, mas que se tornam perigosas quando há abandono do tratamento, como a tuberculose. 

Acondicionamento dos medicamentos

A eficácia de um remédio também depende de seu armazenamento. Banheiros são úmidos, o que pode modificar as características do produto. Na cozinha, é preciso evitar o frio das geladeiras ou a proximidade de locais quentes, como fogões, fornos e parte externa da geladeira. “Até airfryer já pode ser uma zona de calor a ser evitada, pois esquenta quando o equipamento é ligado”, indica a farmacêutica.

O ideal é optar por locais secos, arejados, protegidos da luz e, se for o caso, fora do alcance de animais domésticos e de pessoas que precisam de supervisão, como crianças ou idosos. A manutenção da embalagem original, mantendo a bula dentro da caixa ou em local fácil de ser encontrado, é outra indicação.

*Com informações da Secretaria de Saúde

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