O Jardim Botânico apresentou um dos maiores crescimentos populacionais dentre as Regiões Administrativas do DF conforme o ranking do Censo de 2022, divulgado em março de 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD) de 2024 aponta que a RA chegou a 77 mil habitantes.
Os investimentos em infraestrutura pública, no entanto, não têm sido suficientes para acompanhar essa expansão e a cidade tem sofrido com intensos engarrafamentos, quedas no fornecimento de energia elétrica e alagamentos. Essas foram algumas das queixas de moradores e representantes comunitários em audiência pública promovida pela CLDF nesta terça-feira (15).
O autor da reunião, deputado Chico Vigilante (PT), ponderou que a falta de planejamento para ocupação urbana está na raiz dos problemas enfrentados atualmente, além da ação ilegal de grileiros. Ele lembra que cidades como o Sol Nascente e Vicente Pires enfrentam desafios semelhantes, com um adensamento populacional que foi avançando sem um projeto público de cidade.
“Nós temos o problema da ocupação desordenada, que afeta todas as classes sociais. Sabemos os fatores geradores disso: a falta de planejamento e ação dos grileiros. Agora, temos inúmeros problemas para serem resolvidos”, afirmou.
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Queixas
Representando moradores do Jardim Botânico, Marília Cunha relatou recorrentes quedas no fornecimento de energia elétrica no condomínio onde mora (Ville de Montagne) e em diversos outros nas proximidades.
A moradora revelou ainda apreensão com os rumos da mobilidade urbana no local, que já apresenta sérios problemas de congestionamento das vias. Para ela, a instalação de um novo condomínio, o Reserva Jardim Botânico – que terá área total de aproximadamente dois milhões de metros quadrados – e a recente previsão do novo Centro Urbano do Tororó – que terá capacidade para abrigar mais 117 mil moradores – poderão trazer sérios impactos no trânsito local.
“O Jardim Botânico precisa ser visto com novos olhos, é o bairro que mais cresce em Brasília, as vias estão entupidas. Precisamos que o GDF tenha olhos para aquela comunidade”, pontuou.
Outro ponto destacado por ela é a falta de fiscalização ambiental e controle sanitário na região. Segundo Marília, a RA apresentou um dos maiores índices de infecção por leishmanioses do Brasil, dado que evidencia a falta de políticas de controle de pragas. “São 25 anos de abandono”, desabafou.
Marcílio Souza, que também é morador do Jardim Botânico, apresentou vídeos e imagens de vias esburacadas, assoreamento, alagamentos e calçadas sem condições de uso para denunciar a precarização da malha viária da região, em especial a Avenida do Sol, via que dá acesso a dezenas de condomínios residenciais.
Para ele, a solução para os problemas ambientais e estruturais está associada à construção do Parque Ecológico do Córrego Mato Grande, onde parte das águas da chuva desembocam. A preservação do córrego, em sua análise, também é pauta urgente, uma vez que, por falta de controle, resíduos sólidos têm sido jogados por toda sua extensão.
“Queremos um projeto urbanístico e ambiental amplo para a Estrada da Avenida do Sol, contemplando escoamento adequado de águas pluviais e criação do parque do córrego Mato Grande. Queremos soluções decisivas e não paliativas”, declarou.
Ações do governo
Representantes do GDF também participaram da reunião e descreveram ações recentes desenvolvidas para mitigar os problemas enfrentados. Maurício Canovas, da Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF), afirmou que o Poder Executivo tem estudado soluções para o sobrecarregamento das vias. Especificamente no caso da Avenida do Sol, Canovas lembrou que, em dezembro passado, o governador editou o Decreto nº 46.6162/2024, que prevê a possibilidade de desapropriação de áreas que margeiam a avenida para que ela possa ser duplicada futuramente.
O representante da pasta declarou que as soluções exigem medidas complexas, uma vez que a área foi ocupada de forma irregular. “As soluções existem, mas, com certeza, vão impactar muito a vida dos moradores dali. Vamos ter que ampliar a caixa daquela avenida. A Avenida do Sol terá de ser ampliada, porque, hoje, não há espaço suficiente para a duplicação e terá de haver desapropriação. Não foi uma avenida implantada com planejamento urbanístico”, ponderou.
O decreto estabelece que o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER) será responsável pelos estudos técnicos necessários para a obtenção do licenciamento ambiental, e a execução das obras de implantação do projeto viário.
O texto prevê ainda que Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) será responsável pelas providências necessárias a efetivação da desapropriação, o pagamento das indenizações e o registro do projeto viário de parcelamento do solo urbano com os recursos disponíveis no seu orçamento. A Seduh ficará responsável pelos procedimentos para aprovação do projeto viário de parcelamento do solo urbano.
Reinaldo Teixeira, representante do DER-DR, afirmou que as consequências do adensamento populacional do Jardim Botânico são um problema multifatorial e devem ser enfrentadas pelas várias áreas de planejamento do governo. Ele listou algumas ações recentes do departamento para mitigar os problemas de trânsito, como a duplicação da DF – 140 e da DF – 001 e a construção do viaduto e na rotatória da Esaf. Ele também afirmou que o decreto editado pelo Executivo é uma maneira de começar a resolver o problema de forma mais definitiva.
“O DER tem tentado de todas as formas resolver o problema no que está relacionado às suas competências, dentro de suas faixas de domínio nas suas rodovias”, declarou.
O administrador regional do Jardim Botânico, Aderivaldo Cardoso, afirmou que tem trabalhado incessantemente para que os buracos nas vias causados pela erosão sejam tampados com a maior urgência possível. Ele relatou que a RA foi constituída em áreas privadas e que não foram desapropriadas legalmente, o que dificulta até hoje a regularização de algumas localidades e a instalação dos equipamentos públicos necessários.

Encaminhamentos
Durante a audiência, após ouvir as queixas com relação à falta de energia, o deputado Chico Vigilante agendou uma visita entre os representantes dos moradores junto à Neoenergia para a próxima semana para que sejam discutidas soluções.
O distrital também aproveitou a reunião para cobrar a participação popular na reunião pública do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), que ocorre hoje (15) na Seduh. “É importantíssimo que haja mobilização popular. Cabe a gente encontrar soluções ao invés de apenas criticar”, destacou.
A audiência pública contou ainda com a presença do deputado João Cardoso (Avante), do representante do Brasília Ambiental (Ibram) Roger Henrique e da subsecretária de regularização fundiária da secretaria de habitação Rosemay Pimentel. O encontro teve transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital (canal 9.3) e pelo YouTube da Casa.
Fonte: Agência CLDF
