A CPI dos Atos Antidemocráticos ouviu, nesta quinta-feira (31), o depoimento de Armando Valentin Settin Lopes de Andrade, preso por conta das invasões de 8 de janeiro. Segundo investigações, ele integrava o acampamento bolsonarista na frente do QG do exército em Brasília e teria participado de reuniões em que eram planejados ataques a bomba na rodoviária do plano piloto.
O presidente da comissão, deputado Chico Vigilante (PT), leu o depoimento prestado por Settin à Polícia Civil do DF (PCDF), em que ele afirma que participava de grupos bolsonaristas que questionavam o resultados das eleições e que pediam intervenção militar. No depoimento à PCDF, ele afirmou ainda que vários participantes do acampamento sugeriram colocar bombas na rodoviária e na subestação de energia elétrica de Brasília.
No entanto, Settin negou todo o depoimento e pediu que fosse desconsiderado tudo o que declarou à polícia, o que causou estranheza aos parlamentares. “Eu estava sem meus óculos, eu queria ir embora logo, estava em pânico”, declarou Settin sobre o depoimento prestado. Ele confirmou que frequentou o acampamento, mas que “só passava lá de vez em quando”.
“Só entrei no congresso porque precisava usar o banheiro”, diz Armando sobre o 08/01
O depoente confirmou ainda que estava junto do grupo de manifestantes no dia 8 de janeiro, mas que não depredou nenhum prédio público e que só entrou no Congresso Nacional porque precisava usar o banheiro. “Minha namorada e eu ficamos com vontade de urinar, por isso entramos no prédio invadido”, declarou.
Ele afirmou ainda que chegou a subir na rampa do Palácio do Planalto, Mas que não entrou no prédio porque sua intenção no movimento era pacífica. “Eu fui por curiosidade, só isso”, alegou.
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“Eu pedia intervenção militar, mas nem sabia o que era”, disse Settin.
Ao ser questionado sobre as motivações do acampamento e dos ataques às sedes dos três poderes, o depoente confessou que as pautas mais recorrentes eram o pedido de intervenção militar e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Settin afirmou que hoje, no entanto, avalia que foi induzido formular essas concepções por meio “do que via na mídia e nos grupos de mensagens”.
“Eu estava pedindo [intervenção militar], mas eu não sabia nem o que era na verdade, eu estava desesperado. Hoje eu não quero mais nada”, declarou à CPI.
Meses na prisão
Armando passou quatro meses preso e disse à CPI que teve contato com os envolvidos na tentativa de explosão de um caminhão-tanque de combustíveis (Alan Diego dos Santos e George Washington de Oliveira) apenas no presídio, e que nunca havia os encontrado antes de ser preso, negando qualquer envolvimento com a tentativa de explosão. Ele reclamou ainda da alimentação que recebeu no presídio durante esse período: “Aquela comida nem meu cachorro come”, afirmou.
Ele também contou à comissão que entrou em contato com diversos políticos ligado à direita pedindo ajuda por “ter sido preso injustamente” e que chegou a receber visita do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do senador Magno Malta (PL-ES).
Motivações
Settin explicou sua aproximação à extrema-direita informando que, ainda durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, soube pelas redes sociais que o Governo Federal implantaria uma política segundo a qual quem fosse proprietário de moradias com algum cômodo livre, seria obrigado a oferecer sua casa para abrigar algum sem-teto. “A gente ia na onda”, afirmou.
“A pregação chegou a tal ponto de o senhor acreditar que teria que repartir a sua casa”, declarou Vigilante, impressionado com a justificativa do depoente.
“Depoimento confuso”, diz Pepa
O deputado Pepa (PP) não quis fazer perguntas, uma vez que, segundo ele, o depoente estava contrariando tudo o que havia contado à Polícia. “Eu nunca vi um depoimento tão confuso na minha vida”, afirmou o distrital.
O relator da CPI, deputado Hermeto (MDB), disse crer que a justiça conseguirá estabelecer as penas necessárias relativas à atuação de cada um que participou dos ataques. “Eu tenho fé que a justiça vá individualizar cada um, é assim que ajustiça faz. Cada um, na medida em que participou, dos organizadores, financiadores e qualquer um que agiu pra romper o Estado democrático”, declarou o distrital.
Ao final da sessão, Chico Vigilante informou que a comissão vai encaminhar um pedido à Polícia Civil pedindo que seja aberto inquérito para apurar o fato de Settin desmentir o depoimento que ele próprio havia prestado, para que sejam tomadas as medidas cabíveis.
Fonte: Agência CLDF
