O Distrito Federal dá um passo importante no enfrentamento à violência de gênero. Mais de 600 mulheres atendidas pelo Direito Delas, programa da Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus-DF), distribuídas em 11 núcleos, participarão do projeto Empoderadas no tatame — uma iniciativa de seis meses que une prevenção, capacitação e fortalecimento físico, emocional e social. A ação é fruto de parceria entre a Sejus, o Instituto de Defesa da Mulher Érica Paes (IDMEP) e o Ministério das Mulheres, com apoio da rede de proteção à mulher do DF.
O projeto irá treinar as mulheres por meio de técnicas de segurança preventiva, preparando-as para identificar riscos, reagir a situações críticas e romper ciclos de violência. As atividades ocorrerão duas vezes por semana, com duração de uma hora, e incluem aulas práticas de defesa pessoal, oficinas de design de sobrancelhas e maquiagem, atendimento jurídico e apoio psicossocial — um pacote completo para fortalecer a autonomia financeira e emocional das participantes.
A ação foi idealizada por Érica Paes, ex-lutadora de MMA, faixa preta 5º grau em jiu-jítsu e especialista em segurança feminina. A proposta, segundo ela, vai além do combate físico. “Infelizmente, os noticiários ainda trazem, diariamente, casos de violência contra a mulher. Saber como agir no momento certo pode fazer toda a diferença e até salvar vidas. Nosso foco não é a agressão, mas a prevenção”, afirmou, acrescentando que serão oferecidas ferramentas para que as mulheres reconheçam sinais de perigo e saibam se antecipar às ações de um possível agressor.
Histórias que inspiram
Para muitas participantes da aula inaugural, o curso representa uma verdadeira transformação. É o caso de Elusimar Madeira da Silva, 50 anos, enfermeira e integrante do núcleo do Recanto das Emas. “Estou aqui para aprender a me defender, mas também para repassar para outras mulheres que não têm acesso a essas informações. O que aprendi hoje vou levar para a vida”, contou.
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Lucília Mourão de Oliveira, 68 anos, também do Recanto das Emas, vê no projeto uma forma de conscientização: “Nunca passei por uma situação de violência, mas sempre vi casos próximos. É fundamental saber como se proteger e orientar outras mulheres a buscar ajuda. Hoje aprendi, na prática, como escapar de um possível ataque”.
“Essa ação vai além do combate à violência, representa acolhimento, cuidado e oportunidades reais para que as mulheres se sintam seguras”
Marcela Passamani, secretária de Justiça e Cidadania
Espaço seguro
A proposta do Empoderadas no tatame vai além da prática física. O projeto cria um espaço seguro de diálogo e apoio entre mulheres, promovendo a autoestima e o protagonismo feminino. A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, destacou a importância da iniciativa. “Essa ação vai além do combate à violência, representa acolhimento, cuidado e oportunidades reais para que as mulheres se sintam seguras”, assegurou.
Ao longo do curso, essas mulheres discutem temas como relacionamentos abusivos, sinais de alerta e medidas de segurança em ambientes como elevadores, estacionamentos e transporte público. As aulas práticas ensinam respostas para situações como puxões de cabelos e tentativas de estrangulamento, por exemplo, sempre com foco na autoproteção.
Como participar
As inscrições estão abertas para mulheres a partir de 12 anos, sem limite de vagas. A prioridade é para atendidas pelo programa Direito Delas, mas a participação também está disponível para interessadas da comunidade. Para se inscrever, basta procurar um dos núcleos do Direito Delas, a rede de proteção à mulher.
Direito Delas
Desde sua criação, em novembro de 2023, o Direito Delas já registrou 9.586 atendimentos psicossociais individualizados e alcançou mais de 4,8 mil mulheres em rodas de conversa e palestras. O programa atua em 11 núcleos regionais no DF — Plano Piloto, Ceilândia, Guará, Itapoã, Paranoá, São Sebastião, Planaltina, Recanto das Emas, Samambaia, Estrutural e Gama —, oferecendo acolhimento a mulheres, familiares, crianças vítimas de violência sexual e idosos em situação de vulnerabilidade.
*Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania
