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IgesDF amplia pesquisas e reforça protagonismo feminino na ciência

Instituto soma 145 estudos em andamento em 2025 e amplia parcerias nacionais e internacionais; atuação feminina impulsiona avanços que impactam diretamente pacientes e equipes

Dentro dos hospitais e unidades de pronto atendimento (Upas) do Distrito Federal, pesquisas científicas vêm ajudando a salvar vidas, aprimorar tratamentos e tornar o atendimento mais seguro. No Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o conhecimento produzido na rotina das unidades se transforma em estudos que orientam decisões clínicas, aperfeiçoam protocolos e fortalecem a qualidade da assistência prestada à população.

Em 2025, o Instituto contabiliza 145 pesquisas em andamento, sendo que 29 delas são patrocinadas. Os estudos têm foco em áreas como segurança do paciente, doenças crônicas e infecciosas, alta complexidade, inovação em processos e gestão em saúde.

As pesquisas não patrocinadas são desenvolvidas a partir das demandas da própria rede pública, conduzidas por profissionais do Instituto e voltadas para necessidades reais do Sistema Único de Saúde (SUS). Já os estudos patrocinados contam com apoio de instituições parceiras e da indústria, o que permite acesso a novas tecnologias, tratamentos e métodos capazes de ampliar possibilidades terapêuticas e qualificar ainda mais o cuidado.

O avanço ganha destaque nesta quarta-feira (11), quando é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015. A data busca ampliar a representatividade feminina nas áreas científicas e reforçar a importância da igualdade de oportunidades na pesquisa e na inovação.

Pesquisa que nasce da assistência

À frente da articulação científica no IgesDF está a Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep), responsável por fortalecer a produção científica aplicada à realidade do SUS, incentivar práticas baseadas em evidências e ampliar a qualificação profissional.

O avanço ganha destaque nesta quarta-feira (11), quando é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015 | Fotos: Divulgação/IgesDF

“Celebrar essa data representa o reconhecimento do papel fundamental das mulheres na produção do conhecimento científico e na transformação da saúde pública. Para o IgesDF e para a Diep, é também um compromisso com a valorização da equidade e com o fortalecimento de uma cultura institucional que reconhece a diversidade como fator essencial para inovação e qualidade assistencial”, afirma Emanuela Dourado, diretora da Diep.

Segundo a gerente de Pesquisa do Instituto, Ana Carolina Lagoa, o diferencial dos estudos desenvolvidos na rede pública de saúde é a conexão direta com o cotidiano hospitalar. “A pesquisa no IgesDF nasce da prática assistencial. Os resultados contribuem para aprimorar protocolos, qualificar decisões clínicas, otimizar fluxos de atendimento e promover um cuidado mais seguro, eficiente e baseado em evidências”, explica.

Ela destaca que transformar uma ideia em projeto científico exige planejamento e cumprimento rigoroso das normas éticas.“O processo se inicia com a submissão do projeto à Gerência de Pesquisa, por meio do Núcleo de Apoio ao Pesquisador (Napes). A aprovação institucional ocorre após anuência do Conselho Científico e da Diep. Em seguida, o projeto deve ser submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do IgesDF (CEP/IgesDF). Somente após as duas aprovações a pesquisa pode ser iniciada”, detalha.

“Celebrar essa data representa o reconhecimento do papel fundamental das mulheres na produção do conhecimento científico e na transformação da saúde pública”

Emanuela Dourado, diretora da Diep

Ana Carolina também reforça que o Instituto incentiva a divulgação dos resultados por meio de publicações científicas e participação em congressos e eventos acadêmicos.“A instituição reconhece a importância da disseminação do conhecimento como parte do processo científico e como ferramenta de qualificação da assistência”, completa.

Parcerias que conectam o DF ao mundo

O crescimento da pesquisa no IgesDF também é impulsionado por parcerias estratégicas com instituições reconhecidas no Brasil e no exterior. Atualmente, o Instituto mantém cooperação com o Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Beneficência Portuguesa, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, além da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB).

Há ainda parcerias internacionais com instituições como a Monash University, Universidade de Melbourne, Behrn University, além de organizações e empresas como GSK, Takeda e Amgen, entre outras.

Essas conexões permitem que o Distrito Federal participe de estudos de ponta e contribuem para que novas soluções cheguem ao SUS com mais rapidez e qualidade. Na prática, cada pesquisa pode significar diagnósticos mais precisos, protocolos mais eficientes, menos complicações e mais chances de recuperação para os pacientes atendidos na rede pública.

Para a diretora da Diep, as alianças reforçam o papel do Instituto como referência em inovação dentro do SUS. “Nós atuamos de forma estratégica na articulação entre pesquisa, ensino e assistência, promovendo apoio técnico aos projetos, incentivo à produção científica, capacitações e acompanhamento ético e metodológico. Essas ações contribuem para a qualificação dos profissionais e para a incorporação de práticas baseadas em evidências na rede pública de saúde”, afirma Emanuela.

 

Mulheres que transformam perguntas em esperança

Entre as pesquisadoras que representam esse avanço está a médica gastroenterologista e hepatologista Liliana Sampaio Costa Mendes, que atua no Hospital de Base desde 2001 e desenvolve pesquisas desde 1999. Doutora em gastroenterologia pela USP, ela coordena estudos patrocinados desde 2014 e desenvolve linhas voltadas à cirrose, doenças raras e câncer hepático.

“Meu interesse pela pesquisa e pela ciência surgiu muito cedo, quando percebi que apenas através dessas perguntas, que ainda não têm respostas, é que a gente poderia trazer algum tipo de consolo e propriedade para tratar os pacientes que sofriam de moléstias que ainda não têm muitas perspectivas de tratamento”, conta.

“Meu interesse pela pesquisa e pela ciência surgiu muito cedo, quando percebi que apenas através dessas perguntas, que ainda não têm respostas, é que a gente poderia trazer algum tipo de consolo e propriedade para tratar os pacientes que sofriam de moléstias que ainda não têm muitas perspectivas de tratamento”

Liliana Sampaio Costa, médica gastroenterologista e hepatologista

Liliana explica que a ciência permite rever conceitos consolidados ao longo do tempo.“Com o passar dos anos, a gente viu que a fibrose da cirrose também pode reverter. Muitos dogmas vão sendo desconstruídos e, com isso, passamos a enxergar melhores perspectivas para a vida de pacientes portadores de cirrose”, afirma.

Segundo a pesquisadora, a ciência ajuda a salvar vidas justamente porque permite identificar riscos antes que o quadro se agrave. “Em uma das pesquisas em que participei, descobrimos que um tipo de descompensação da cirrose, que antes era visto como mais leve, podia ser tão perigoso quanto quadros mais graves. Isso fez com que a gente passasse a agir mais cedo, protegendo mais pacientes e aumentando as chances de recuperação”, explica.

Ciência também é organização e persistência

Conciliar assistência, pesquisa e rotina hospitalar exige disciplina. Para Liliana, o tempo dedicado ao estudo precisa ser respeitado com a mesma seriedade que o tempo dedicado ao paciente.

“A pesquisa exige tempo protegido. Algumas horas semanais ou até um turno inteiro precisam ser reservados para garantir que as metas sejam cumpridas”, diz.

Ela reconhece que o esforço é grande, mas destaca que os resultados compensam. “Você precisa se apaixonar pelo que está pesquisando, colocar dedicação e acreditar que aquilo é relevante. Mesmo cansado da rotina, você vai para a pesquisa e fica ali duas, três horas diante de um computador fazendo coleta de dados, por exemplo”, afirma.

Ciência como resposta para o SUS

Para o IgesDF, investir em pesquisa também significa buscar soluções mais eficientes e sustentáveis para a saúde pública. “Na saúde pública, a importância da ciência é enorme, porque ela pode trazer respostas mais adequadas e mais acessíveis, que possam ser aplicadas em larga escala. Os estudos de custo-efetividade são exemplos disso”, explica Liliana.

Além dos números e protocolos, a data também reforça o papel de inspirar novas gerações. Para Ana Carolina, a presença feminina na pesquisa é cada vez mais expressiva dentro do Instituto.

Liliana (ao centro, de verde) com a equipe do Núcleo de Pesquisa Clínica (Nupec) e os monitores do estudo de doença hepática da Takeda, durante a visita de iniciação do estudo

“O que mais me orgulha é acompanhar o comprometimento e a responsabilidade com que essas mulheres conduzem suas pesquisas. Elas conseguem transformar a vivência diária nos serviços de saúde em conhecimento científico de qualidade, com impacto direto na assistência e na gestão. Ver esse retorno para a população atendida pelo IgesDF é, sem dúvida, o mais gratificante”, afirma.

Já Liliana deixa um recado às futuras cientistas: “Vocês são meninas superpoderosas. Se apaixonem pelo que querem fazer, se organizem e coloquem suas metas no papel”.

Emanuela também reforça que incentivar meninas na ciência é fortalecer o futuro da saúde pública. “A ciência precisa de diversidade, e a presença de mulheres é essencial em todas as etapas do processo científico. Precisamos de mais mulheres pesquisando, liderando projetos e participando das decisões, porque isso fortalece a ciência e torna o conhecimento mais diverso, ético e conectado com as necessidades da sociedade, no IgesDF, ciência também é cuidado e cada vez mais tem voz de mulher”, conclui.

 

*Com informações do IgesDF

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