Seguirá para a análise da Câmara dos Deputados o projeto que institui uma semana dedicada à saúde mental nas escolas de educação básica e superior, tanto públicas como privadas (PL 542/2021). A finalidade da matéria, aprovada nesta terça-feira (31) no Senado, é divulgar informações e produzir esclarecimentos sobre o tema. De autoria do senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), a proposta foi relatada pela senadora Dra. Eudócia (PSB-AL). Foi o primeiro relatório da senadora, que assumiu o mandato na semana passada como suplente de Rodrigo Cunha (União-AL), que se licenciou do cargo.
O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – Lei 9.394, de 1996) para estabelecer que cada escola poderá decidir, de acordo com sua proposta pedagógica e seu público específico, a semana mais adequada para promover o evento. Cada estabelecimento de ensino deve organizar ações como palestras, debates, mesas redondas e atividades lúdicas.
A relatora elogiou a iniciativa do projeto, lembrando que o texto foi apresentado quando a pandemia do coronavírus estava em uma fase mais aguda, em um contexto de discussão e de grande preocupação com a retomada segura das aulas presenciais. Segundo a senadora, na ocasião já se antecipava a necessidade de atenção à saúde mental e socioemocional de todos os integrantes da comunidade escolar.
— Essa preocupação ainda é atual e extremamente relevante. A possibilidade de atenção enfática e sistemática ao assunto no ambiente escolar se mostra relevante do ponto de vista social e educacional — declarou a relatora, ao defender o projeto.
Dra. Eudócia informou que acatou as duas emendas apresentadas. A do senador Paulo Paim (PT-RS) ampliou o alcance do projeto, ao incluir as escolas de ensino superior no texto. Já a emenda da senadora Rose de Freitas (MDB-ES) estabelece que os currículos do ensino fundamental e do ensino médio devem incluir tema transversal relativo à saúde mental.
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Pesquisas
Na justificativa da proposta, Kajuru destaca que os primeiros sinais de distúrbios mentais muitas vezes surgem no ambiente escolar, onde também se encontram algumas de suas causas ou agravantes. O autor cita uma pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que aponta que um em cada três jovens em 30 países afirmou ter sido vítima de bullying on-line, com um em cada cinco relatando ter saído da escola devido a cyberbullying e violência. No Plenário, Kajuru disse que o Brasil é o país com mais casos de depressão e ansiedade durante a pandemia de covid.
Segundo o autor do projeto, os especialistas concordam que a escola tem um importante papel a desempenhar na saúde mental de crianças e adolescentes. Ele disse que a escola precisa estar preparada para reconhecer esses sinais e fazer uma abordagem adequada da questão. Para o autor, o alcance do projeto é amplo e pode ter efeitos significativos no papel pedagógico de cuidar da saúde mental das crianças e dos adolescentes. Kajuru elogiou a qualidade do relatório da senadora Dra. Eudócia e disse que educação e saúde devem andar de mãos dadas.
— O projeto pode ajudar que pais, alunos e professores superem os preconceitos que envolvem a saúde mental, incentivando a discussão do tema com naturalidade e empatia — registrou o senador.
O senador citou ainda uma matéria da revista eletrônica Crescer, que mostra um estudo da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP). Segundo a pesquisa, realizada no ano de 2014, a taxa de transtornos mentais na infância varia de 7% a 20%, conforme a região investigada e a exposição a fatores de risco. Ainda de acordo com a revista, outros estudos revelam a média de 10% dessa incidência na idade pré-escolar.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
