O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, lamentou a decisão do governo de vetar integralmente o projeto que inclui mais de 80 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo na área de abrangência da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O veto integral (VET 32/2021) foi publicado na edição desta quarta-feira (23) do Diário Oficial da União e será analisado pelo Congresso Nacional, em sessão a ser agendada. Deputados e senadores podem manter ou derrubar o veto. Rodrigo Pacheco, que preside a Mesa do Congresso, afirmou que vai trabalhar para viabilizar o projeto.
“Lamento que o Ministério da Economia, alheio à realidade das cidades brasileiras e com a costumeira insensibilidade social, tenha criado obstáculos técnicos inexistentes para levar o presidente Bolsonaro a vetar um dos principais projetos de desenvolvimento de Minas Gerais. A inclusão justa de municípios na área da Sudene. Um grande frustração para os mineiros. Continuarei trabalhando junto à bancada para viabilizar o projeto”, escreveu o presidente em sua conta em uma rede social.
Segundo o Ministério da Economia, a proposta ampliaria as despesas da Sudene e os incentivos fiscais sem apresentar estimativas de impacto orçamentário-financeiro ou medidas de compensação, como determina a legislação.
“A propositura legislativa incorre em vício de inconstitucionalidade e contraria interesse público, pois acarretaria aumento de despesas primárias ao ampliar a área de atuação da referida superintendência sem apresentar a estimativa do impacto orçamentário-financeiro e a memória de cálculo utilizada para a previsão das despesas a serem geradas com a inclusão de mais de 80 municípios àquela área”, apontou o governo na justificativa do veto.
A Sudene dispõe de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para projetos de desenvolvimento regional. Atualmente, a área de atuação da Sudene abrange quase dois mil municípios. A proposta vetada beneficia, entre outros, municípios da região do Vale do Rio Doce atingidos em 2015 pelo rompimento da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana (MG).
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Aprovado pelo Senado em maio com 57 votos favoráveis e nove contrários, o projeto vetado (PLC 148/2017 — Complementar) foi relatado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), que fez questão de destacar que a proposta não muda a regra de divisão dos recursos da Sudene entre os estados. O relator ressaltou ainda que a atuação dos fundos regionais de desenvolvimento deve ser rediscutida, sobretudo no que diz respeito aos recursos não utilizados, devido ao difícil acesso a essas verbas.
— O que estamos pedindo aqui é que mais municípios de Minas Gerais possam ter acesso à cota de Minas Gerais; [são municípios] que foram deixados de fora em decisão anterior que ampliou a área de atuação da Sudene no estado — argumentou o senador durante a votação.
O texto chegou a ser rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em 2018, mas seguiu para análise do Plenário do Senado. À época, os parlamentares que votaram contra o projeto na CCJ alegaram que os recursos destinados à Sudene já são insuficientes para promover o desenvolvimento do Nordeste e de outros municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo que integram a área de atuação da autarquia.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
