Brincar e se divertir fazem parte do desenvolvimento infantil. Para pais e mães, uma mudança no comportamento habitual do filho ou da filha pode ser um sinal de que algo não está bem. Não é à toa: a saúde das crianças é fundamental para o crescimento, o desenvolvimento e o bem-estar dos pequeninos. E, caminhando lado a lado nesta jornada, estão os serviços de saúde pública do Distrito Federal.
O cuidado se inicia bem cedo, logo após o parto, conforme o Protocolo de Atenção Primária à Saúde da Criança. Depois que a mãe e o bebê recebem alta, o recém-nascido recebe uma visita domiciliar da equipe de saúde até os 30 dias de vida. Durante as visitas domiciliares, esses profissionais orientam as famílias, identificam necessidades, incentivam a vacinação e o acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Durante as visitas, os profissionais também verificam a realização das triagens neonatais, como os testes do pezinho, do olhinho, do coraçãozinho e da orelhinha. Segundo dados do InfoSaúde DF, de janeiro a outubro de 2026, houve crescimento de 9,73% nas visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários de saúde (ACS) a crianças de 0 a 14 anos, em comparação com o mesmo período de 2025. O número passou de 101 mil para 111 mil visitas.
A gerente de Apoio à Saúde da Família da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Simone Lacerda, destaca que as visitas domiciliares são essenciais para a avaliação das condições familiares que podem influenciar a saúde da criança.
- Celina Leão promete manter impostos sem reajuste e anuncia renegociação de dívidas para feirantes do DF
- Celina Leão e Leandro Grass intensificam campanha com agendas em regiões do DF
- SES-DF reforça vacinação contra o sarampo e orienta população sobre prevenção
- Mais de 90 mil famílias do DF podem reduzir a conta de luz; veja quem tem direito
- Colisão frontal entre dois veículos deixa dois feridos na BR-251
“As visitas complementam o atendimento realizado nas unidades de saúde e permitem que os profissionais conheçam melhor a realidade das famílias e as condições que podem influenciar a saúde infantil. A atuação no território também contribui para orientar os responsáveis e identificar situações que necessitem de acompanhamento pela equipe de saúde”, reforçou.
*Atenção Primária*
Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o acompanhamento infantil inclui consultas, avaliação do crescimento e desenvolvimento, vacinação, orientações sobre aleitamento materno, alimentação complementar e saúde bucal. A rede também oferece cuidados específicos para crianças com deficiência, orientações sobre doenças prevalentes na infância e prevenção da violência.
Até os dois anos de idade, devem ser realizadas pelo menos nove consultas, presenciais ou remotas, com médico ou enfermeiro, e nove registros de peso e altura. Nesse período, estão previstas pelo menos duas visitas domiciliares do agente comunitário de saúde, sendo a primeira até os 30 dias de vida e a segunda até os seis meses.
“Esses parâmetros ajudam a organizar o acompanhamento e monitorar a qualidade do cuidado, mas não substituem a avaliação individual. A frequência das consultas e as intervenções necessárias devem considerar a condição clínica, o desenvolvimento e as necessidades de cada criança”, explicou Simone Lacerda.
O acompanhamento infantil na Atenção Primária vai até os 14 anos, 11 meses e 29 dias. Também é realizada a suplementação de vitamina A para crianças de 6 a 59 meses e de ferro para aquelas de 6 a 24 meses. O teste do olhinho é realizado nas consultas dos primeiros 24 meses (três vezes ao ano) e anualmente até o quinto ano.
“Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, suas habilidades e particularidades. Uma criança com deficiência, por exemplo, pode ter limitações de mobilidade ou necessitar de apoio específico e, ainda assim, apresentar boas condições de saúde. O cuidado deve considerar a individualidade, a funcionalidade, o bem-estar e as necessidades de cada uma, sem comparações ou padrões únicos de comportamento”, explicou.
*Acesso especializado e hospitalar*
Quando necessário, a UBS solicita avaliação de especialistas nas policlínicas ou em serviços como o Hospital da Criança de Brasília (HCB) e os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi). As consultas especializadas reguladas são solicitadas pelo sistema de regulação da Secretaria de Saúde.
Na Atenção Especializada, as consultas de pediatria cresceram 5,4% entre janeiro e julho de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O número passou de cerca de 204 mil para 215 mil consultas.
Alguns sinais exigem avaliação rápida, como dificuldade importante para respirar, convulsões, incapacidade de mamar ou ingerir líquidos, sinais de desidratação ou dificuldade incomum para despertar. Em bebês com menos de três meses, a presença de febre requer avaliação médica imediata. Diante de sinais de gravidade, a família deve procurar um serviço de urgência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) DF, pelo número 192, quando necessário.
Entre janeiro e julho de 2026, o DF registrou redução de 5,9% nas internações de pacientes de 0 a 14 anos, em comparação com o mesmo período de 2025. O número passou de 39,4 mil para 37,1 mil internações.
*Cuidado em casa*
A promoção da saúde começa também na rotina familiar. A higiene das mãos, a escovação dos dentes desde o nascimento do primeiro dente, a alimentação adequada à idade, a vacinação em dia, o sono suficiente e as oportunidades de brincar, interagir e aprender contribuem para o bem-estar e o desenvolvimento.
Na alimentação, recomenda-se priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, de acordo com a idade e as orientações dos profissionais de saúde. Para crianças menores de dois anos, as recomendações incluem não oferecer açúcar nem alimentos ultraprocessados. Refrigerantes e outras bebidas açucaradas também devem ser evitados como parte dos hábitos alimentares da infância.
O sono deve respeitar as necessidades de cada faixa etária. Da mesma forma, as brincadeiras e atividades precisam considerar as características, os interesses e as possibilidades de cada criança. É preciso garantir oportunidades de participação, interação e aprendizagem, inclusive para aquelas com deficiência ou mobilidade reduzida.
A prevenção de acidentes também merece atenção. É importante manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance das crianças, utilizar equipamentos de segurança adequados à idade e supervisionar atividades que ofereçam riscos.
Secretaria de Saúde do Distrito Federal
